cancer de ovario

Dia Mundial do Câncer de Ovário

O câncer de ovário é conhecido como o “assassino silencioso” — não por fatalismo, mas por uma realidade clínica concreta: seus sintomas são vagos, facilmente confundidos com problemas digestivos ou ginecológicos comuns, e raramente levantam suspeita imediata. Distensão abdominal, sensação de saciedade precoce, dor pélvica e vontade frequente de urinar são sinais que muitas mulheres ignoram por meses — e esse atraso no diagnóstico tem consequências diretas na sobrevida.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o câncer de ovário seja responsável por cerca de 7.000 novos casos por ano. É o tumor ginecológico com maior taxa de mortalidade, justamente porque, na maioria das vezes, só é detectado nos estágios avançados (III e IV), quando o tratamento se torna significativamente mais complexo. Quando diagnosticado precocemente, no estágio I, a taxa de sobrevida em cinco anos supera 90%. Nos estágios avançados, esse número cai para menos de 30%.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, não existe um exame de rastreamento eficaz para o câncer de ovário na população geral — o papanicolau, por exemplo, detecta alterações no colo do útero, não nos ovários. O ultrassom pélvico e o marcador tumoral CA-125 podem ser solicitados em casos de suspeita clínica ou para mulheres com histórico familiar, mas não são recomendados como triagem universal. Isso torna ainda mais importante que mulheres e profissionais de saúde estejam atentos aos sintomas persistentes.

O principal fator de risco conhecido é genético: mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam substancialmente a probabilidade de desenvolvimento da doença. Mulheres com histórico familiar de câncer de ovário ou de mama devem conversar com seu médico sobre a possibilidade de aconselhamento genético. Outros fatores associados incluem idade avançada, nuliparidade (nunca ter engravidado), uso prolongado de terapia hormonal e endometriose.

O tratamento padrão combina cirurgia (geralmente com o objetivo de remover todo o tumor visível) e quimioterapia. Nos últimos anos, terapias-alvo como os inibidores de PARP trouxeram avanços significativos, especialmente para pacientes com mutações BRCA, ampliando as opções terapêuticas disponíveis no cenário oncológico. Pelo SUS, o tratamento do câncer de ovário é garantido, incluindo cirurgia, quimioterapia e acompanhamento especializado nas unidades de alta complexidade em oncologia (UNACONs e CACONs).

O 8 de maio existe para lembrar que o silêncio dos sintomas não precisa ser o silêncio das mulheres. Falar sobre o câncer de ovário, reconhecer os sinais de alerta e buscar atendimento médico diante de sintomas persistentes são atos que salvam vidas. A cor da campanha é o teal — um azul-petróleo que, cada vez mais, representa a força de quem enfrenta esse diagnóstico e a urgência de quem ainda pode ser alcançado a tempo.